
Câncer de próstata-O médico Coelho faz a operação por meio do robô Da Vinci (Crédito: Marco Ankosqui)
Na medicina brasileira, o mês de novembro é dedicado as campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer, neste ano devem surgir 68 mil novos casos e o registro de mortes ultrapassará a marca de 13 mil homens. Com características diversas — uns de evolução lenta, outros mais agressivos —, todos podem ser prevenidos a partir da realização regular de exames a partir dos 45 anos. Quando a doença se instala, é possível tratá-la com medicações e radioterapia, por exemplo, para tentar preservar a glândula, responsável pela parte do líquido que forma o esperma. Se isso não for possível, a opção é sua total retirada.

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Até muito recentemente, a extração completa da próstata trazia como efeitos colaterais, na maioria dos casos, a perda do controle urinário e da capacidade de ereção. Um grupo de médicos brasileiros, italianos e americanos descreveu na edição de julho do jornal da Associação Europeia de Urologia — o principal do mundo no campo de cirurgias urológicas — uma nova técnica que preserva as funções mesmo com a retirada total da glândula.
O grande desafio de tratar qualquer problema na próstata é ter que trabalhar dentro da área onde a glândula está localizada. Ela fica entre a bexiga e a pelvis, região bastante vascularizada e provida de nervos. Por isso são tão comuns sequelas como a perda da continência urinária e da ereção. O que os médicos fizeram foi modificar a técnica padrão usada na prostatectomia robótica, como é a chamada a cirurgia feita por meio do robô (Da Vinci). “Na operação tradicional, é necessário cortar alguns vasos e nervos que estão na parte anterior da próstata para que seja feita sua remoção”, explica o urologista Rafael Coelho, cirurgião robótico do Hospital Nove de Julho, de São Paulo, e um dos especialistas que assina o artigo publicado no jornal europeu de urologia. “Desenvolvemos um método inédito de retirar a próstata preservando esses vasos.”
A técnica vem sendo usada pelo mesmo time no Brasil desde 2014. De lá para cá, já são mais de mil pacientes operados. Na amostra usada para o estudo, foi avaliada a evolução de 128 pacientes. Os resultados mostraram eficácia e, mais importante, danos mínimos. Nada menos do que 85% apresentaram controle urinário logo após a cirurgia e, depois de um ano, 98% estavam continentes. “E 87% dos homens recuperaram a capacidade de ereção doze meses após o procedimento”, informa Coelho.
Geralmente, o paciente fica apenas um dia no hospital e é liberado para voltar as atividades em torno de quinze dias. Isso é possível porque a operação é minimamente agressiva, o que reduz riscos de infecção e de sangramento além do devido. * Fonte: Iste É
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