
Foto: Ilustrativa/Internet
Uma parceria firmada entre a Prefeitura da cidade de Indaiatuba no interior do estado de São Paulo, Universidade de Campinas (Unicamp) e a Roche Diagnóstica, o município passa ser pioneiro no País na detecção do vírus HPV (papilomavírus humano) no colo do útero, causador desse tipo de câncer, antes mesmo que a mulher desenvolva a doença.
O novo programa, denominado Preventivo (Programa Indaiatubano de Rastreamento do Câncer de Colo de Útero com teste de HPV) iniciou no município nesta segunda-feira (02/10) nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para as mulheres assistidas pelo SUS, dentro da faixa de idade indicada para o procedimento, entre 25 e 64 anos.
O teste de DNA de HPV foi implantado no município para as mulheres assistidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em substituição ao já convencional Papanicolau, exame ginecológico que detecta lesões no colo uterino, com o diferencial de fazer parte de um programa organizado.
Ao detectar o vírus antes que ele comece a causar lesões no órgão, o exame possibilitará uma importante redução nos casos de câncer de colo de útero e, desta forma, Indaiatuba se tornará uma referência para todo o Brasil, inclusive para o Ministério da Saúde, que futuramente, pode adotar o procedimento na rede de atenção à saúde da mulher em todo o país.
O médico ginecologista e pesquisador da Unicamp, Dr. Júlio César Teixeira, que é um dos coordenadores do programa, explica que o teste de HPV é uma tendência mundial “O exame começou a ser realizado nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Até então, no Brasil, era realizado apenas em clínicas privadas para esclarecer alterações duvidosas no exame convencional, pois tem um custo mais alto. Nosso maior desafio é organizar o sistema de controle das mulheres rastreadas e, com o novo programa em Indaiatuba, poderemos avaliar e demonstrar a relação custo/benefício da aplicação deste novo método no Sistema Único de Saúde”, disse.

Foto: Ascom/PM de Indaiatuba
Em coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira (28), o prefeito de Indaiatuba Nilson Gaspar, ressaltou que a implantação do novo programa é mais uma medida que beneficia a população como um todo. “Este é mais um serviço inovador e de excelente qualidade que vamos oferecer para as mulheres, graças à esta importante parceria. O atendimento oferecido pelas nossas unidades de saúde já é uma referência para a região, pois atendemos também muitas pessoas de outros municípios, e agora, com este novo exame realizado pelo SUS, seremos uma referência para todo o País”, disse.
O vice-prefeito e médico ginecologista, Dr. Tulio José Tomass do Couto, que também marcou presença na coletiva, está atuando diretamente na implantação do novo exame em Indaiatuba. “Para mim é uma honra fazer parte desta inovação, tão benéfica para a nossa cidade, e que está sendo coordenada por pesquisadores tão competentes, como o Dr. Julio e o Dr. Zeferino”, comentou.
A coleta do material para a realização do exame é realizada pelo médico ginecologista em consultório (mesmo procedimento de coleta para o Papanicolau), e o resultado do exame fica pronto em aproximadamente 20 dias. Caso o resultado seja negativo, a mulher somente precisará fazer um novo exame após cinco anos, diferentemente da citologia convencional, que, após resultados negativos em dois anos consecutivos, deve ser feita novamente após três anos.
O estudo, que será aplicado pelos próximos cinco anos em Indaiatuba, está sendo coordenado pelos médicos ginecologistas e pesquisadores da Unicamp, Dr. Luiz Carlos Zeferino e Dr. Júlio César Teixeira. Eles elaboraram o projeto há alguns anos e encontraram na Roche Diagnóstica um apoiador que permitiu a implantação da ação. A empresa disponibilizou equipamentos automatizados, insumos e recursos para aprimorar o sistema de rastreamento e possibilitar a avaliação da viabilidade econômica da implementação deste tipo de rastreio no sistema único de saúde.
“Com este apoio, reforçamos o compromisso da Roche com a saúde dos brasileiros. Trabalhamos constantemente ao lado dos profissionais de saúde, hospitais e governos para ampliar o acesso da população às soluções inovadoras da companhia que trazem segurança, rapidez e eficiência às análises clínicas auxiliando as tomadas de decisões médicas para melhorar a vida das pessoas”, comenta Henrique Vailati, diretor de Recursos Humanos e Comunicação da Roche Diagnóstica Brasil.
O próximo desafio, segundo Dr. Julio, foi escolher uma cidade ou região para a implementação da ação. “Pesquisamos vários municípios e observamos que Indaiatuba tem uma rede de atenção à saúde muito bem organizada e estruturada e a cobertura de mulheres que fazem o exame Papanicolau é maior que a média do país. Estes fatores foram determinantes para a nossa escolha, uma vez que nossa proposta com o estudo é também ampliar essa cobertura”, explicou.
Para o secretário municipal de saúde, Dr. José Roberto Stefani, esta novidade está sendo possibilitada em razão do sistema informatizado e organizado implantado no município. “Há cerca de dez anos iniciamos uma reestruturação dos serviços de saúde em Indaiatuba, otimizando o sistema e melhorando o atendimento em todos os aspectos. Toda a infraestrutura também foi modernizada, com a ampliação do Haoc (Hospital Augusto de Oliveira Camargo), reforma e construção de novas unidades de saúde, muitas vezes, em parceria com o Governo do Estado, por meio do Deputado Estadual Rogério Nogueira (DEM)”, afirmou.
Segundo o pesquisador da Unicamp, nas últimas décadas o país investiu no exame Papanicolau como principal método de prevenção do câncer de colo de útero, no entanto, não houve uma redução da mortalidade, devido à falta de controle sobre a população rastreada. “As estatísticas apontam que no Brasil morre uma mulher por hora, com aproximadamente 45 anos, em consequência da doença. 80% delas não morreriam se o programa de rastreamento com o preventivo de citologia (Papanicolau) funcionasse de forma organizada e adequada. Por outro lado, o teste DNA de HPV é muito sensível e realizado inteiramente de forma automatizada, por esta razão as chances de falhas são muito pequenas. Sem contar que vamos detectar a presença do vírus antes mesmo de haver uma doença”, afirma.
Com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Indaiatuba
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