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Lula reajusta Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno das eleições

  • Jorge Pereira:Jornalista-DRT 0005599/BA - 17/09/2026
                       

Anúncio foi feito a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026; governo afirma que reajuste de 15,04% representa a reposição da inflação.

Bolsa Família sobe para R$ 691 a 17 dias das eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. A decisão foi divulgada a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 4 de outubro.

Com o reajuste, o valor mínimo pago por família passará de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio deverá subir de aproximadamente R$ 675 para R$ 777. Os novos valores serão aplicados na folha de outubro, com pagamentos previstos a partir do dia 19 — seis dias antes de eventual segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Segundo o governo federal, o percentual corresponde à reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada desde a reformulação do programa, em março de 2023, até agosto de 2026. O Bolsa Família não havia recebido reajuste nesse período.

A correção também alcança os benefícios adicionais. O valor destinado a crianças de até sete anos passará de R$ 150 para R$ 173. Já os adicionais pagos a gestantes, lactantes e jovens de sete a 18 anos subirão de R$ 50 para R$ 58.

Impacto nas contas públicas

De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, o reajuste deverá representar uma despesa adicional de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026. Para 2027, o impacto anual estimado é de aproximadamente R$ 22,7 bilhões. Atualmente, cerca de 19,3 milhões de famílias são atendidas pelo programa.

Momento do anúncio gera debate político

A proximidade entre o anúncio e as eleições provocou críticas de adversários do presidente, que questionam a oportunidade eleitoral da medida e o impacto sobre o orçamento dos próximos anos.

O governo, por sua vez, nega caráter eleitoreiro e sustenta que a decisão apenas recompõe as perdas provocadas pela inflação. A Advocacia-Geral da União avaliou previamente a medida e defendeu que o decreto não cria um programa nem modifica seus critérios de acesso, limitando-se a atualizar os valores de um benefício já existente.

O reajuste foi estabelecido por decreto presidencial e, portanto, não precisará passar por votação no Congresso Nacional. Eventuais questionamentos sobre a compatibilidade da medida com a legislação eleitoral poderão ser analisados pela Justiça Eleitoral.

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