
Foto: João Ramos
Nos idos e lindos anos de 1972 e 1973, a década musical da tropicália, o início do rock brasileiro a década de ouro.
Fui morar no Prado com tia Lurdes, conhecida na cidade como “Lurdes do correio” por ser ela gerente da agência local, na qual tinha um funcionário um senhor de uns 40 anos que vamos chamar de sr. Antônio (por não me recordar agora do nome do cidadão) que tinha sido recentemente transferido de Alcobaça para o Prado.
Tia Lurdes tinha reuniões em outras agências, viajava para fazer a feira geralmente em Teixeira de Freitas, viajava para comprar roupas, sapatos, bolsas e outros itens para vender e melhorar a renda e pedia para eu e Edelzuita ( pessoa maravilhosa na qual levei meus filhos para conhecer), para darmos um suporte ao funcionário novato, eu nas correspondências, separar por endereços e entregar ao carteiro e não deixar faltar a fita no aparelho do telégrafo, a função de Edelzuita dar um apoio com a funcionária de serviços gerais.
Mas chega esse novo carteiro, e logo ela precisou viajar e mais uma vez fomos para a agência do correio logo pela manhã bem cedo, fizemos o nosso serviço e saímos, Edelzuita para casa de tia Lurdes do correio fazer o almoço e eu sem destino acho que praia.
No outro dia cedo vamos para o correio novamente, chegando lá o sr. Antônio foi dando logo a notícia.
– Não consegui encontrar nenhuma das duas pessoas que eram para entregar as cartas, estão todas aí na mesa de correspondências devolvidas.
– Como assim sr. Antônio? Mais de 50 cartas para duas pessoas?
– sim todas para duas pessoas, que nem eu e ninguém na cidade conhece.
Estranhei e perguntei qual o nome dessas duas pessoas sr. Antônio?
Imediatamente responde o sr. Antônio, o sr. Ilmo e a sra. Ilma, pode verificar.
O correio era uma pequena casa de fachada amarela na rua da beira do rio com 05 ou seis cômodos, me dirigi ao referido cômodo onde ficava a mesa de devoluções e fui ler os destinatários e claro que todas elas tinham Sra. Ilma e Ilmo. Sr. e os respectivos nomes, chamei sr. Antônio ele prontamente apareceu.
– Por favor sr. Antônio leia o destinatário deste envelope.
– E ele começou iiiilllmmmo, está vendo para Ilmo todas.
– E o resto, o nome?
– já li Ilmo.
– continue lendo sr. Antônio.
– é que não sou muito bom na leitura.
– o senhor quer me dizer que conhece as letras mas que não sabe ler?
– sei ler sim, mas não sou muito bom em leitura.
– sr. é de que cidade?
– Eu? Daqui do Prado.
– Mas veio transferido de Alcobaça e lá qual era o seu serviço?
– bom eu sou carteiro, mas por perseguição me colocaram para fazer faxina na agência, e como sou daqui do Prado consegui esta transferência.
Pronto agora que meu trabalho dobrou, lá fui eu entregar as cartas com a ajuda de Edelzuita durante dois dias até a gerente chegar e eu colocar ela a par da situação, a grande maravilha, ela recebeu um carteiro que não sabia ler.
Ela de início ficou sem acreditar, e retrucou.
– Como que me mandaram um carteiro sem saber ler? Impossível um carteiro semi- analfabeto.
Mas como do feitio dela mastigando sem ter nada na boca, foi conversar com carteiro e pediu para ele ler um telegrama, após alguns minutos de sufoco para o sr. Antônio, minha tia pede para ele ir para casa descansar e que voltasse no período da tarde.
Retornado após o almoço tia Lurdes na esportiva o coloca para ser gerente dos trabalhos de serviços gerais.
Por: Enio Coelho Junior/Parceiro do site Una News
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