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Foto: Reprodução/Internet
Violência obstétrica é toda e qualquer violência praticada por profissionais de saúde contra a mulher na gravidez, parto e/ou pós-parto. Vou citar aqui alguns exemplos, para que você veja como ela é comum no nosso meio:
Negar o tratamento durante o parto; qualquer tipo de prática invasiva; intervenção médica forçada; humilhações verbais; tratamento rude; ignorar necessidades e dores sentidas pela mulher; machismo; preconceito por raça, cor, classe social, DSTs, gênero; abuso físico, sexual e verbal; discriminação com base em idade, etnia, classe social ou condições médicas; não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado; falta de comunicação; falta de cuidado e retirada da autonomia; ponto “do marido”, manobra de Kristeller (subir, ou pressionar a barriga da mulher); lavagem intestinal; raspar pelos; mandar a mulher fazer força quando não tem vontade; restrição de alimentação e bebida; impedir que a mulher grite, ou se expresse; impedir livre posição e movimentação durante o trabalho de parto; separar a mãe do bebê na primeira hora de vida (em condições saudáveis), entre outros.
Provavelmente você ou alguém que você conhece já vivenciou alguma dessas práticas. Eu sofri, mulheres ricas sofreram, aquela que teve um “médico de confiança” sofreu e infelizmente, todas nós estamos suscetíveis a isso.
Eu me preparei para o meu parto durante nove meses, estudei, contratei uma doula, participei de todas as rodas de gestantes possíveis, mas ainda assim não escapei da violência obstétrica, em uma instituição que prometia ser referência em humanização na nossa região. Quando me propus a conhecer a instituição e falei aos quatro ventos o quanto a proposta do hospital era humanizada e inovadora eu não sabia o que estaria por vir.
A estrutura do hospital em nada foi insuficiente, mas precisamos entender que humanização não é feita por paredes ou aparelhos, mas por seres humanos. A humanização tem a ver com o respeito às escolhas da mulher e com a forma como se deve receber alguém que acabou de chegar ao mundo. Você pode ter um parto respeitoso em um carro e ser desrespeitada em uma banheira e não podemos nos calar diante disso, é cruel permitir que outras mulheres continuem passando por essas situações todos os dias em nossos hospitais.
Sendo tão comuns, por que há poucas denúncias desses casos? Infelizmente nos foi ensinado a normalizar esse tipo de violência, a dizer: pelo menos vocês estão bem, a nos mostrar que fulana passou algo pior.
O que diferenciou meu parto do de mulheres que tiveram consequências graves foi a minha busca por informações e não me calar quando tentavam me induzir a procedimentos “padrões”. Eu vou deixar aqui alguns conselhos para quem ainda vai ter um bebê:
Busque por rodas de gestantes gratuitas, encontre uma doula solidária (ou que esteja dentro das suas possibilidades), faça um plano de parto, estude sobre fisiologia do parto, conheça seu corpo, seus direitos e prepare o seu acompanhante para ser sua voz, caso necessite.
A violência obstétrica é muitas vezes decorrente de uma falta de consentimento na realização das intervenções durante o parto. Por isso, não hesite em dizer não às práticas que você sabe que são desnecessárias (só vai saber se estudar). Eu queria poder te dizer: confie na equipe, eles sabem o que estão fazendo! De fato, muitas vezes sabem, mas alguns buscam por procedimentos que só beneficiam a eles.
O parto é seu, o médico não é dono do seu corpo e das suas vontades, não é ele abaixo de Deus. Busque o seu bem-estar e do seu bebê.
Caso a mulher sofra violência obstétrica, ela pode denunciar:
Caso você precise de ajuda eu estou aqui para você. No meu Instagram tem os meus contatos @laianealbuquerqueguimaraes
Existe um exército de mulheres dispostas a ajudar você, basta nos chamar.
Que você tenha felizes e conscientes escolhas!
Por Laiane Albuquerque Guimarães/Jornalista
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