
Uma série de terremotos registrados desde quinta-feira (14) no sudoeste do Japão fez ao menos 41 mortos, enquanto as autoridades temem novos deslizamentos e um número maior de vítimas em razão das dezenas de pessoas que seguem soterradas.
A região de Kumamoto, na ilha de Kyushu, foi atingida nas últimas 48 horas por uma série de terremotos e réplicas que provocaram uma gigantesca avalanche de lama e pedras que soterrou casas e cortou uma autoestrada.
“Salvamos pessoas sob escombros em várias partes. A polícia, os bombeiros e as forças de autodefesa fazem tudo para socorrer as vítimas”, declarou à AFP Yumika Kami, porta-voz da prefeitura de Kumamoto.
Cerca de mil pessoas ficaram feridas, 184 delas com gravidade, segundo as autoridades locais.
“A prioridade é salvar vidas. Devemos agir rapidamente”, declarou o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que cancelou sua visita à região e convocou uma reunião de crise. “Está previsto que o tempo piore (…) havendo o risco de novos deslizamentos e outros desastres”, advertiu.
O governo enviou 25.000 soldados e 1.000 socorristas para ajudar nos trabalhos de resgate.
A agência meteorológica japonesa, que prevê fortes chuvas durante o fim de semana, alertou para a possibilidade de novos deslizamentos de terra em um solo enfraquecido pelos tremores.
A localidade de Misato aconselhou cerca de 10.000 habitantes a deixar a zona por precaução, segundo a rede de televisão NHK.
“Medo”
O terremoto deste sábado, de 7 graus de magnitude segundo o Instituto de Geofísica americano (USGS), foi registrado à 1h25 local (13h25 de sexta-feira no horário de Brasília), provocando um alerta de tsunami na costa oeste de Kyushu, que logo foi cancelado.
A agência meteorológica japonesa avaliou o tremor em 7,3 graus e indicou que o terremoto de quinta-feira foi um “precursor”.
Na quinta-feira, um terremoto de 6,5 graus de magnitude atingiu a ilha e provocou 9 mortes e 900 feridos, dos quais 50 gravemente. Desde então, mais de 100 tremores secundários foram registradas na região.
“Saí da minha casa. Não podia ficar lá por causa dos tremores seguidos”, disse Hisako Ogata, de 61, que foi levada para um parque perto de sua casa em Kumamoto junto com outras 50 pessoas. “Estava com tanto medo”, desabafou.
“O último terremoto foi tão forte, ou até mais forte que o terremoto original”, declarou Shotaro Sakamoto, agente da prefeitura de Kumamoto.
Antes do novo terremoto, os habitantes da pequena cidade japonesa de Mashiki já se preparavam para voltar a passar a noite ao relento e faziam fila para receber água potável.
“A casa tremeu”, contou à AFP Noboyuki Morita, um morador de 67 anos da cidade de Mashiki. “Estávamos assistindo à televisão quando, de repente, sentimos tremores muito fortes. Fiquei muito surpreso, nunca havia visto um tremor assim na minha vida”, completou.
Morita e sua esposa passaram a noite em um carro. Eles não tinham como voltar para casa, depois que o telhado desabou, e os móveis saíram do lugar. O relógio ficou parado às 21h26 (9h26 de Brasília), horário do primeiro tremor.
“Só consegui sair da minha casa depois de cinco réplicas. Foram tão fortes que ficava com medo de me mexer”, contou um vendedor à televisão. Em sua casa, tudo estava de pernas para o ar, com estantes, mesas e diversos objetos jogados no chão.
No total, “foram sentidos 123 tremores secundários”, disse o sismologista Gen Aoki, da Agência Japonesa de Meteorologia.
Dezenas de casas, muitas delas velhas e de madeira, ficaram total, ou parcialmente, destruídas. Cerca de 44.000 pessoas precisaram se refugiar em centros de acolhida, onde receberam arroz e água potável.
Uma ponte de 200 metros desabou, um santuário milenar foi destruído e as estradas foram marcadas por fissuras.
Além disso, ao menos 14.000 lares ficaram sem eletricidade, e também houve cortes no abastecimento de gás e água. A companhia que alimenta a região, Kyushu Electric Power, afirmou que não foi detectada nenhuma anomalia na central nuclear de Sendai, onde se encontram os dois únicos reatores em serviço no Japão.
As demais instalações nucleares da região, ou seja, as de Ehime e Genkai, não foram afetadas, segundo as companhias operadoras.
O Japão, localizado no encontro de quatro placas tectônicas, sofre a cada ano mais de 20% dos terremotos mais fortes registrados no planeta.
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