Aos 120 anos, dona Eurides Fagundes é cheia de histórias para contar R7 Bahia
Luta e superação. Assim pode ser definida a vida de Eurides Fagundes. Aos 120 anos, vovó, como é carinhosamente chamada, é cheia de histórias para contar. Vaidosa e meiga, ela não esconde a alegria em receber visitas e atenção na casa de apoio onde mora na capital baiana. Nascida em Salvador no dia 6 de dezembro de 1894, a idosa foi criada em Caboto, no município de Candeias, na região metropolitana.
Com as unhas pintadas e perfumada, dona Eurides recebeu a reportagem do R7 BA no abrigo e, lúcida, afirmou que não há segredos para viver tanto tempo.
— Eu não tenho segredo, eu fui criada no interior trabalhando, carregando água.
A cuidadora da vovó, Tina dos Santos, 59 anos, afirma que se há um segredo para a longevidade deve ser comer banana e farinha, alimentos indispensáveis no dia a dia de dona Eurides.
— Se tem um segredo deve ser a banana e a farinha, pois ela não faz mais nada de diferente. Se não tiver farinha ou banana no prato, não adianta que ela se recusa a comer no almoço. À noite, gosta de uma farofinha com carne e café com leite.
Dona Eurides foi morar na Asgape (Associação Solidariedade Grupo de Apoio ao Paciente Portador de Câncer) há 15 anos enquanto lutava para vencer um câncer. Segundo Tina, a vovó morava com uma prima na Liberdade, na capital, mas as condições de vida eram horríveis, já que era maltratada e dormia no chão da casa. A mulher foi acolhida na casa de apoio enquanto tratava a doença e, mesmo recuperada, continuou no abrigo, que hoje considera seu lar.
Idosa pode ser a pessoa mais velha do mundo R7 Bahia
A vida da vovó não foi fácil. Tina contou que a idosa perdeu a mãe ainda muito pequena e foi criada por uma tia. Durante sete anos, dona Eurides fingiu que não caminhava. Quando estava na presença de alguém, ela se arrastava pelo chão e andava apenas quando estava sozinha, até que foi flagrada caminhando e acabou o disfarce. A cuidadora conta que até hoje ela faz esse tipo de coisa para chamar a atenção das pessoas.
— É difícil saber quando ela realmente está com uma dor, com dor de cabeça, por exemplo, pois ela faz isso [diz que está com alguma dor] para chamar atenção.
A idosa nunca foi casada nem teve filhos, mas, entre tantas histórias, disse que teve um namorado que morreu enquanto trabalhava e perdeu um bebê após tomar um susto, mas não soube explicar direito como aconteceu e afirmou que “faz tanto tempo que já perdeu a graça”.
— Tive um rapaz, mas não deu certo, pegou outra, foi trabalhar, morreu.
Com 120 anos, a vovó pode ser a pesseoa mais velha do mundo, já que o título pertencia à japonesa Misao Okawa, que morreu aos 117 anos, em abril deste ano. A certidão de nascimento de dona Eurides confirma a idade, mas o registro só foi feito em 1976, o que pode gerar dificuldade na comprovação da longevidade da baiana. Assim, o vice-diretor da Asgap, Jorge Britto, afirmou que o abrigo até pensou em dar entrada nos papéis para que fosse comprovado o título, mas desistiu para não causar nenhum tipo de constrangimento para a idosa. Uma funcionária da casa contou que eles ficaram sabendo que seria necessário fazer uma raspagem no osso da mulher para comprovar a idade e ninguém quer que a vovó passe por esse tipo de exame que pode ser doloroso e perigoso para uma pessoa de idade tão avançada.
Alheia a tudo isso, dona Eurides não esconde a satisfação em morar em um lugar onde é tão querida. Os funcionários e voluntários da casa são como uma família para ela, que afirma ser muito bem cuidada no local. Ela diz que agora só quer continuar vivendo no meio das pessoas que ama e que a acolheram tão bem até “quando Deus quiser”.
*Colaborou a estagiária Kátia Prado
Do r7
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