Peso-meio-pesado exalta qualidades do campeão e afirma que ficou desgastado pelo desempenho do adversário, que pareceu “maior” no cage.

Cormier tenta enxugar as lágrimas após se emocionar na coletiva de imprensa pós-luta (Foto: Evelyn Rodrigues)
Mais uma vez, Daniel Cormier chegou perto de um título, mas saiu sem o troféu. Após ser vice-campeão nacional universitário, medalha de bronze no Mundial e quarto colocado nas Olimpíadas no wrestling, o lutador americano viu seu sonho de ser campeão do UFC interrompido nas mãos de Jon Jones , que o derrotou por decisão unânime no evento principal do UFC 182, em Las Vegas, na madrugada de domingo. Na coletiva de imprensa pós-luta, “DC” reconheceu a superioridade do adversário e enumerou suas qualidades, mas se emocionou e não conteve as lágrimas ao comentar seus sentimentos pelo revés, o primeiro de sua carreira profissional no MMA.
– É muito difícil. Eu trabalhei tão duro para tentar e virar o campeão nos níveis mais altos por um tempo muito longo. Não funcionou muito bem para mim. Esta é difícil. Eu realmente acreditei que conseguiria cumprir a missão, e, quando estávamos lutando, ainda parecia muito bem, mas… Não posso falar o bastante sobre a mentalidade dele (de Jones) dentro daquele octógono. Eu dividi aquele cage com alguns homens muito fortes e grandes, super-heróis, e não posso falar o bastante sobre sua coragem e determinação, porque eu o pressionei, fui atrás dele, lutei com ele, e ele fez um ótimo trabalho. É difícil, mas sabe, eu já tive que reconstruir minha vida inúmeras vezes, de formas que as pessoas nem conseguem imaginar, e isso não é diferente. Isso não vai me arruinar. De um jeito ou de outro, eu vou estar frente a frente no cage com aquele homem de novo, e vou acreditar, como fiz hoje, e vou levar a luta para cima dele de novo – jurou Cormier, chorando. Ele foi aplaudido por lutadores e treinadores que estavam no salão durante a entrevista.
O desafiante fez uma leitura honesta da luta e disse ter considerado que venceu apenas o segundo round. Ele não tomou consolo pelos comentários de que a pontuação deveria ter sido mais equilibrada do que foi – os três juízes laterais deram vitória para Jones em quatro dos cinco rounds.
– Eu estava ciente que estava perdendo. Achei que ele se saiu bem no primeiro round, e no final do round eu comecei a ganhar momento. Achei que lutei muito bem no segundo round. Terceiro round, achei que comecei bem e não encerrei muito bem. No quarto round, eu tirei o pé, ele ganhou aquele round fácil, e aí no quinto round, acho que nenhum de nós fez nada demais, meio que nos abraçamos por cinco minutos, mas isso é o que acontece quando se luta com tanta vontade quanto fizemos. Ele venceu a luta. Não sei como julgar uma luta, mas sei que perdi. Jon venceu. É isso que importa, não importa se foi mais equilibrado ou não.
Daniel Cormier chegou à coletiva mancando, e disse que o motivo era um nó que tinha na perna. Todavia, ele admitiu que uma joelhada do campeão no primeiro round o machucou – segundo fontes do Combate.com, ele disse nos bastidores que lesionou a costela com o golpe – e comentou que o rival parece maior dentro do octógono do que normalmente.
– Jon e seus treinadores fizeram um bom trabalho em montar sua estratégia. Durante a luta, ele me acertou com ganchos de esquerda e direita no corpo, e, conforme a luta prosseguiu, ele começou a jogá-los um pouco mais diretos. Aquela joelhada no começo realmente me tirou um tanto (de energia), acho. (…) Se alguma coisa me surpreendeu, é que ele pareceu um pouco maior no cage do que parece normalmente. Ele é um cara grande, forte, que pesa em você, e quando ele faz isso, pode te cansar um pouco no final da luta. (…) Não é sua altura, são suas habilidades que o tornam difícil de se enfrentar. Mas, era minha intenção chegar perto dele, então eu estava preparado para isso. Eu não achava que ele seria capaz de me desgastar como fez. Esse foi seu maior sucesso – analisou. Sportv.Globo
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