Moradores de Oliveira, em Minas Gerais, conseguiram barrar o reajuste e até diminuir o pagamento dos políticos

A população de uma cidade mineira de 40 mil habitantes resolveu se mobilizar depois que os vereadores decidiram aumentar os próprios salários. A notícia acabou com o sossego de Oliveira, a 160 quilômetros de Belo Horizonte.
“Todo mundo está demitindo, reduzindo salário para não demitir e aqui eles querem aumento”, reclamou um morador da cidade que compareceu, junto de outros manifestantes, na Câmara Municipal para protestar contra o reajuste. “É um absurdo. Eu trabalho o mês inteiro para ganhar um salário mínimo e eles, que quase nem vem aqui, querem aumento?”, disse outra manifestante.
Pouco antes do Carnaval, o presidente da Câmara marcou uma sessão e apresentou em regime de urgência um projeto para aumentar o salário dos vereadores em cerca de 60%. Os vereadores queriam mais de R$ 5 mil de salário para a próxima legislatura. A maioria deles considera R$ 3.500 pouco para comparecer a uma sessão por semana na Casa.
Dos 13 vereadores, apenas um votou contra o projeto. “Os políticos têm que enxergar que esse corporativismo peculiar do legislativo tem que acabar; nós estamos aqui para defender as pessoas”, declarou o vereador Leandro Leão.
Mais de duas mil assinaturas foram colhidas na cidade. O povo, além de querer barrar o reajuste, também pediu a redução do salário para R$ 1.200. “R$ 3.500 já era um valor muito alto”, reclamou um professor da cidade. “Fizemos então uma proposta para que fosse dentro da nossa realidade econômica”.
A pressão popular deu certo. Os vereadores recuaram e ainda apresentaram um projeto para cortar pela metade os salários do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários, além de reduzir os próprios pagamentos.
Essas mobilizações populares em pequenas cidades brasileiras têm se mostrado efetivas. Foi assim que os moradores de Jacarezinho, no interior do Paraná, conseguiram um corte de 30% dos salários dos vereadores no ano passado. *Band
Confira a reportagem.
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