Residência da mãe do paciente não tem estrutura para abrigar garoto.Jeferson Borges não pode ficar exposto à poeira e risco de infecção é alto.

Mãe de Jeferson sá água ao garoto que permanece
internado no Hospital das Clínicas.
(Foto: Imagens / TV Bahia)
O menino de 12 anos que passou pelo primeiro transplante de pele na Bahia teve a alta adiada do hospital por não ter onde morar de forma adequada após o procedimento. As informações são da assessoria de imprensa do Hospital da Clínicas de Salvador, local onde o garoto passou pela cirurgia.
Jeferson Borges, que deveria ter saído da unidade de saúde na segunda-feira (13), até esta terça-feira (14) permanecia em um quarto do hospital. O procedimento realizado em Jeferson foi inédito na Bahia. A pele utilizada no transplante foi de um banco de pele de Porto Alegre que já existe há 20 anos. Apesar da mãe do paciente ter uma casa na cidade de São Sebastião do Passé, a cerca de 68 quilômetros de Salvador, o garoto não pode ficar exposto à poeira e o risco de infecção é alto caso ele retorne para a antiga moradia.
Por causa dessa situação, o serviço social da unidade de saúde está a procura de um abrigo com infraestrutura adequada para ele ficar com a mãe. Contudo, segundo a assessoria, as chances de encontrar um local público são mínimas por conta da quantidade de vagas disponíveis e da falta da estrutura em alguns abrigos de Salvador.
Segundo o médico Valber Menezes, responsável pela cirurgia, apesar da pele ser mais fácil de ser absorvida do que os outros órgãos, em caso de infeccção, o paciente pode perder a pele colocada. “A técnica é simples e curativa, mas se houver uma infecção pode haver a perda de toda a pele que foi colocada”, conta. Enquanto o jovem não tiver um local para ficar, ele irá permanecer no hospital. Porém, os médicos não aconselham a medida por conta da possibilidade de infecção hospitalar.
Caso
Jeferson Borges, de 12 anos, passou por um transplante de pele no dia 25 de agosto, no Hospital das Clínicas em Salvador. O garoto ficou internado por 11 meses no Hospital Geral do Estado (HGE), também na capital baiana, após sofrer queimaduras na parte superior do corpo e perder o braço esquerdo.
O garoto relatou que ao carregar barras de metal no ombro acabou encostando em um fio e recebeu a descarga elétrica que causou as queimaduras. Segundo Adriana Assis Borges, mãe de Jeferson, ele sofreu as queimaduras quando passava férias com o pai na cidade de Coité, a cerca de 235 quilômetros de Salvador.
Valber Menezes, coordenador do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas, explicou que a pele utilizada para o transplante pode ser de qualquer pessoa. Além disso, a pele utilizada no transplante é retirada do doador, assim como é retirado os outros órgãos de pessoas que morrem.
Ainda segundo Menezes, as células de peles utilizadas no transplante são removidas como um curativo biológico para que o paciente não apresente reação. Com isso, ela fica inerte e pode ser colocada em outra pessoa.
Após este procedimento, a pele é integrada à área do corpo queimada ou ferida, como um curativo. Depois de algum tempo, o paciente pode perder um pouco da pele, mas em áreas menores, onde futuramente poderá receber um enxerto.
De acordo Valber Menezes, a Sesab fez uma parceria com o banco de pele de Porto Alegre, após o Hospital das Clínicas se cadastrar como transplantadores. “Já temos configurado para até o final do próximo ano uma estruturação de banco de pele e osso”, diz. Segundo informações da Secretaria de Saúde, há um projeto para o banco de pele e osso, mas ainda não há data definida para implementação.
Fonte:G1bahia
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